segunda-feira, 27 de julho de 2009

Lugar reservado

Hoje é dia da partida
Difícil mesmo de ir a pé
A viagem requer bagagem leve
Venha de sorriso maroto com gosto de café

Prometo bom humor
Levar tudo que é alegre, azul e divertido
Vou usar meu melhor vestido
E não esquecer aquela pulseira dourada

Vou rir até perder o fôlego
Contar até mil do começo ao fim
Ver a pedra pular em riacho
Sentir o orvalho e cheiro de mato
Tudo na melodia do Jobim

E você
Leva aquele chapéu engraçado
Minha medalha de guarda, pedacinho de quindim
Na entrada da ferrovia já aviso
Tem frase esquisita em latim

Se aprume, rapaz
O apito é prenúncio do esperado já
Se alguém te pedir o bilhete
Aviso que seu lugar reservado está

Bitoca

Bitoca parece pipoca
Sempre pronta pra pular
De uma boca a outra
Serelepe e fulgaz
Novo gosto a encontrar

Eu bitoco, tu bicotas
Que brincadeira boa essa....
Pena que na correria da vida
Essa bitoca sempre está com pressa...

Chuva cai

Chuva molha a alma
Mas não limpa tudo
Sempre deixa ali no canto
Viela mal varrida

É vão qualquer esforço
A purificação só vem com o fogo
Queima-me as veias, então
Dilacera devagar mas com prazer

Só assim, mesmo triste
A brasa amortece a lágrima
O oxigênio é consumido
Faltará um pouco de ar...a vida continua

Fuga

De repente é furacão
Que mexe com todas as gavetas
Revira todos pensamentos
De repente é calmaria
Que traz uma tristeza serena
Mas que deixa gosto amargo
É assim sem você perto

Calor tórpido
Saudade que sufoca
Por que tamanha dicotomia?
É vã qualquer filosofia...

Deito, tento dormir, mas abro os olhos e lá você está
Escapa dos sonhos e abre minha mente de novo
Preciso fugir de mim mesma
Prá encontrar alguma paz
Será possível?

Laço de fita

Fiz-me menina com você
Como se não tivesse passado
Como se nascesse ao estar contigo
Soltei as amarras
Vislumbrei o abismo à frente
Mesmo assim ele me engoliu

No corpo, chave
Na mente, resposta
Nenhuma fala, todo entedimento
Tudo era toque, mente, entrega

Nessa infância
Nos perdemos no parque das emoções
Deslizamos em devaneios
O tempo falou mais alto ao ouvido pueril
Rasgou os desenhos que fizemos dos sonhos
A tristeza consumiu a força da criança

Hoje a menina vê-se mulher no espelho
Rugas internas, com candura triste
Onde está meu laço de fita encantado
Ficou em mim ou você?