quarta-feira, 29 de julho de 2009

Carochinha Virtual

Contos de fada que me perdoem
Mas nada supera a relação virtual
Um novo pretendente a cada clique
Ou control alt del caso tudo vá mal

É simples, fácil e rápido
Sem contrato, sem juiz, nem padre
Inventa-se do quem sou ao que faço
O que falar então do corpo e da idade?

Ah se a Dona Carochinha
Soubesse desse poder imediato
Em que cada um se transforma em segundos
De Sapo a Príncipe, de Rei a Rato

Tá logo ali a um clique
A Cinderela do Sacomã
Ou o Bonito do Leblon
Cada um na sua telinha
Ligados por um emoticon

Nesse universo de alteregos virtuais
Os personagens são cúmplices do anonimato
Alguém aí avisa a Branca de Neve
Que o príncipe fugiu com a Loira24.

Prá sair dessa dimensão

http://www.youtube.com/watch?v=hAnVAWxK2uQ

http://www.youtube.com/watch?v=N9QUtxpOMHI

Pedido à Inhansã

Inhansã me conte

O que esse nego veio fazer

Jogou magia no meu terreiro

Enfeitiçou o meu querer

Esse nego é delírio

Tem cheiro de incenso, tem jeito de Xangô

Tem tatuagem, tem ritmo, tem malemolência

Tem espírito de guerreiro, tem forma de amor

Vou lançar meus patuás

Vou rogar ao Senhor do Bonfim

Vou subir a escadaria

Lá no beco do Arlequim

Vou pedir ao Deus das águas

Que leve esse feitiço bem longe de mim

Me livro agora das amarras desse encanto

Ou fico sem meu tamborim